Compulsão Alimentar: O que é, Causas, Sintomas e Tratamentos Eficazes

Descubra o que é compulsão alimentar, seus sintomas, causas e os melhores tratamentos disponíveis. Entenda como buscar ajuda e recuperar qualidade de vida.

DISTÚBIOS

MEDY

8/25/20252 min read

O que é a Compulsão Alimentar?

A Compulsão Alimentar Periódica (CAP), também chamada de Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA ou TCAP), é um distúrbio caracterizado pela ingestão de grandes quantidades de alimentos em um curto período de tempo, acompanhada da sensação de perda de controle.

Diferente da bulimia nervosa, esse transtorno não envolve comportamentos compensatórios frequentes, como vômitos induzidos ou uso de laxantes.
Foi reconhecido oficialmente como diagnóstico no DSM-5, em 2013.

Sintomas e sinais de alerta

Os principais sinais de que uma pessoa pode estar sofrendo de compulsão alimentar incluem:

  • Comer muito rápido;

  • Continuar comendo mesmo sem fome;

  • Sentir-se desconfortavelmente cheio;

  • Comer escondido por vergonha;

  • Sentir culpa, tristeza ou repulsa após os episódios.

Para diagnóstico clínico, os episódios devem ocorrer pelo menos 1 vez por semana durante 3 meses.

Prevalência e impacto

Estudos mostram que a compulsão alimentar afeta cerca de 2% da população mundial. No Brasil, estima-se que até 4,7% dos adultos possam sofrer com o transtorno.

Além disso, é mais comum em mulheres, mas também afeta homens em proporções relevantes.
Cerca de 30% das pessoas que buscam programas de emagrecimento apresentam compulsão alimentar, segundo pesquisa publicada na revista Biological Psychiatry.

Principais causas

A compulsão alimentar não é apenas “falta de força de vontade”. Ela é resultado de fatores biológicos, psicológicos e sociais:

  • Neuroquímicos: alterações na dopamina e serotonina, ligadas ao prazer e controle do apetite.

  • Genéticos: estudos sugerem herdabilidade em até 50% dos casos.

  • Psicológicos: ansiedade, depressão e baixa autoestima são gatilhos comuns.

  • Sociais: pressão estética, cultura de dietas restritivas e estigmatização do corpo aumentam o risco.

Consequências para a saúde

O transtorno traz impactos sérios:

  • Físicos: obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, síndrome metabólica e problemas cardíacos.

  • Psicológicos: depressão, ansiedade, isolamento social e pior qualidade de vida.

  • Sociais: prejuízos nas relações pessoais e profissionais.

Tratamentos baseados em evidências

O tratamento deve ser multidisciplinar e personalizado, envolvendo psicologia, psiquiatria e nutrição. Entre os métodos mais eficazes estão:

Psicoterapia

  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): padrão-ouro no tratamento, com alto índice de eficácia.

  • Terapia Interpessoal: indicada quando a compulsão está relacionada a dificuldades de relacionamento.

Medicação

  • Lisdexanfetamina (Vyvanse®): único aprovado especificamente para compulsão alimentar moderada a grave.

  • Antidepressivos ISRS (fluoxetina, sertralina) podem ajudar no controle dos sintomas.

  • Topiramato tem mostrado eficácia, mas com possíveis efeitos adversos.

Nutrição e estilo de vida

  • Reeducação alimentar com foco em equilíbrio e não em restrição severa.

  • Técnicas de mindful eating (alimentação consciente).

  • Atividade física regular para melhorar saúde física e mental.

A compulsão alimentar é um transtorno reconhecido, sério e que precisa de atenção. Não se trata de “falta de disciplina”, mas de um problema que exige compreensão, diagnóstico correto e tratamento especializado.

Com acompanhamento adequado, é possível controlar os episódios, melhorar a saúde física e emocional e recuperar a qualidade de vida.